SEM QUARTEL

Recentemente, Louçã foi ao antigo quartel da Avenida de Berna arregimentar os estudantes contra a universidade nova. A gente que o recebeu, compreensivelmente entediada com a perspectiva de um curso sem emoções, protestou contra a irrelevância presente do “movimento estudantil”. Houve quem tivesse escolhido aquela faculdade no pressuposto – que a realidade logo tratou de contrariar – de ali haver condições especiais para a “subversão”. Referiu-se a gloriosa memória de uma associação de estudantes no centro das “lutas estudantis” dos anos 90. Ninguém, a começar no orador, pareceu consciente do novo estatuto de “clientes” e da reconversão expectável das velhas estruturas de estudantes em émulos das associações de consumidores, desejavelmente “profissionalizadas” e isentas de “militâncias” anacrónicas. A “luta” está sem quartéis, destruídos estes pela guerra sem cartel ao que resta da universidade.

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