Arquivo de Março, 2008|Página de arquivo mensal
MAD U
SEM QUARTEL
Recentemente, Louçã foi ao antigo quartel da Avenida de Berna arregimentar os estudantes contra a universidade nova. A gente que o recebeu, compreensivelmente entediada com a perspectiva de um curso sem emoções, protestou contra a irrelevância presente do “movimento estudantil”. Houve quem tivesse escolhido aquela faculdade no pressuposto – que a realidade logo tratou de contrariar – de ali haver condições especiais para a “subversão”. Referiu-se a gloriosa memória de uma associação de estudantes no centro das “lutas estudantis” dos anos 90. Ninguém, a começar no orador, pareceu consciente do novo estatuto de “clientes” e da reconversão expectável das velhas estruturas de estudantes em émulos das associações de consumidores, desejavelmente “profissionalizadas” e isentas de “militâncias” anacrónicas. A “luta” está sem quartéis, destruídos estes pela guerra sem cartel ao que resta da universidade.
A REFORMA DA UNIVERSIDADE
AVALIAÇÃO NEGATIVA
“Uma avaliação pressupõe critérios: parece que neste caso à volta de catorze (e pressupõe avaliadores, muitos dos quais sem qualquer competência científica ou pedagógica ou interesses de uma total irrelevância para a matéria em juízo). Os critérios medem, peço desculpa pelo truísmo, o que é mensurável como, por exemplo, a assiduidade ou notas de uma exactidão discutível, como perfeitamente sabe quem alguma vez deu notas. Não medem nem a “moral”, nem o “ambiente”, nem os valores da escola ou a contribuição de cada professor para a sobrevivência e a força dessa “moral”, desse “ambiente” e desses valores. Numa palavra, não medem a qualidade, de que depende, em última análise, o sucesso ou o fracasso do acto de ensinar. Criam uma trapalhada burocrática que esteriliza e que massacra e acaba sempre por promover a mediocridade, o oportunismo e a rotina. A sra. Thatcher ia matando assim a universidade inglesa”.
Vasco Pulido Valente, Público, 8-3-2008
BILHETES À VENDA
Amanhã, a tournée “Universidades à venda?” passará por Lisboa.
O mestre do sampling ideológico Francisco Louçã apresentará remisturas de standards de “Bolonha” integradas num discurso de “resistência”:
“O Processo de Bolonha foi uma promessa viciada”
CASTELO EM RUÍNAS
…defendido de um ataque de aleijadinhos por paralíticos enfezados:
“[A FENPROF reivindica] o ‘arranque urgente’ da Agência de Acreditação e Avaliação” – espécie de sucursal local da Rede Europeia de Garantia de Qualidade no Ensino Superior (ENQA) – “para pôr termo ao que qualificou de ‘três anos de avaliação burocrática e governamentalizada’ feita pela Direcção Geral do Ensino Superior.”
No Diário Digital.
“BUSINESS STUDIES”
Comentário do Finantial Times, em editorial, a relatório confidencial do Ministério da Inovação, Universidades e Competências britânico:
AFORISMO
Bolonha é sepultura em massa.
BOLONHA GERA O SEU PRÓPRIO COVEIRO
O caminho árduo, mas fatalmente necessário, para a universidade do proletariado:
“A lógica do mercado – que alardeava a necessidade do ensino contínuo como resposta à flexibilidade e acelerada mutação das profissões – poderia, afinal, servir para abolir o velho ‘modo de produção’; poderia levar-nos de uma universidade ‘feudal’ para uma universidade ‘burguesa’, por assim dizer…”
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