Arquivo de Março, 2008|Página de arquivo mensal

MAD U

 
“Métodos de Avaliação do Desempenho dos Docentes Universitários” (aka MADU), in Ensino Superior 14 – Revista do SNESup, Dezembro 2004- Janeiro 2005
 
Esclarecimento importante:
 
“A expressão ‘avaliação do desempenho’, apesar de eventualmente sugerir a ideia de um processo visto de fora, com um sentido controlador e fiscalizador, no presente artigo não tem essa conotação”.

SEM QUARTEL

Recentemente, Louçã foi ao antigo quartel da Avenida de Berna arregimentar os estudantes contra a universidade nova. A gente que o recebeu, compreensivelmente entediada com a perspectiva de um curso sem emoções, protestou contra a irrelevância presente do “movimento estudantil”. Houve quem tivesse escolhido aquela faculdade no pressuposto – que a realidade logo tratou de contrariar – de ali haver condições especiais para a “subversão”. Referiu-se a gloriosa memória de uma associação de estudantes no centro das “lutas estudantis” dos anos 90. Ninguém, a começar no orador, pareceu consciente do novo estatuto de “clientes” e da reconversão expectável das velhas estruturas de estudantes em émulos das associações de consumidores, desejavelmente “profissionalizadas” e isentas de “militâncias” anacrónicas. A “luta” está sem quartéis, destruídos estes pela guerra sem cartel ao que resta da universidade.

A REFORMA DA UNIVERSIDADE

Eram exageradas as notícias da morte da universidade.
 
Anda lelé da cuca, a passear-se num buggy.
 
 
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Recorte publicado n’A Educação do meu Umbigo
 
 

AVALIAÇÃO NEGATIVA

“Uma avaliação pressupõe critérios: parece que neste caso à volta de catorze (e pressupõe avaliadores, muitos dos quais sem qualquer competência científica ou pedagógica ou interesses de uma total irrelevância para a matéria em juízo). Os critérios medem, peço desculpa pelo truísmo, o que é mensurável como, por exemplo, a assiduidade ou notas de uma exactidão discutível, como perfeitamente sabe quem alguma vez deu notas. Não medem nem a “moral”, nem o “ambiente”, nem os valores da escola ou a contribuição de cada professor para a sobrevivência e a força dessa “moral”, desse “ambiente” e desses valores. Numa palavra, não medem a qualidade, de que depende, em última análise, o sucesso ou o fracasso do acto de ensinar. Criam uma trapalhada burocrática que esteriliza e que massacra e acaba sempre por promover a mediocridade, o oportunismo e a rotina. A sra. Thatcher ia matando assim a universidade inglesa”.

Vasco Pulido Valente, Público, 8-3-2008

BILHETES À VENDA

CASTELO EM RUÍNAS

…defendido de um ataque de aleijadinhos por paralíticos enfezados:

“[A FENPROF reivindica] o ‘arranque urgente’ da Agência de Acreditação e Avaliação” – espécie de sucursal local da Rede Europeia de Garantia de Qualidade no Ensino Superior (ENQA) – “para pôr termo ao que qualificou de ‘três anos de avaliação burocrática e governamentalizada’ feita pela Direcção Geral do Ensino Superior.”

No Diário Digital.

“BUSINESS STUDIES”

Comentário do Finantial Times, em editorial, a relatório confidencial do Ministério da Inovação, Universidades e Competências britânico: 

“The document contains a nod to the idea that higher education is about more than wealth creation, but no more than a nod. In more than 20 pages, it is dismal to find only one sentence about how education can provide someone with fresh ideas and a better chance at self-fulfilment. It is dispiriting to think that greater prosperity seems to have produced a government mentality that regards understanding primarily as a means to a more productive job rather than an end in itself.”

AFORISMO

Bolonha é sepultura em massa.

BOLONHA GERA O SEU PRÓPRIO COVEIRO

IDIOCRACIA

“Voto de Repúdio
 
Na sequência das posições tornadas públicas, em órgãos de informação diversos, pelo docente Daniel Luís, em que tem vindo a afirmar que foi vítima de censura, tendo sido forçado por este Departamento a encerrar os seus blogues e a terminar com as suas participações em iniciativas de humor, sob ameaça de instauração de um processo disciplinar, este Conselho de Departamento repudia veementemente as declarações do respectivo docente, que são falsas, bem como a campanha de difamação que vem prosseguindo contra os seus colegas integrantes daquele órgão.
 
O docente Daniel Luís é o único responsável pelo encerramento dos seus blogues, a que procedeu de livre vontade na sequência de um apelo do seu Departamento, votado e lavrado em acta. Nada de mais público, de mais claro e frontal, com base em receios que lhe foram explicados e que em primeiro lugar o procuravam proteger na sua dignidade profissional e no conteúdo funcional da sua actividade como educador, área objecto, nos seus textos, de inúmeras referências atentatórias da dignidade de professores, alunos e responsáveis políticos, cuja acção o docente Daniel Luís é suposto estudar, investigar, ensinar e criticar em termos académicos, para o efeito beneficiando de condições institucionais e de toda a liberdade académica.
 
Em qualquer caso, o docente está no seu direito de se exprimir pelos meios e pelas formas que entender e, obviamente, é inteiramente livre de retomar, a qualquer momento, as formas de expressão que considerar oportunas a título individual. O Departamento não poderá, em tal caso, manter-se solidário com um dos seus membros, caso daí relevem consequências, ou efeitos não desejados, do ponto de vista do seu exercício profissional como professor e educador.
 
O Conselho de Departamento é um órgão colectivo, composto por quinze docentes, com regras democráticas de funcionamento, actas publicitadas e participação assegurada, onde neste momento o docente Daniel Luís participa na qualidade de representante dos docentes não doutorados e, ainda, de Secretário. Em mais de trinta anos de existência, este Departamento sempre se pautou por comportamentos de intransigente defesa da liberdade de expressão, de debate democrático e de participação alargada de todos os seus membros, seja em termos de funcionamento interno, seja em termos de intervenção pública. Não se deixará por isso intimidar por qualquer tipo de campanha pública baseada em factos falsos, por mais generalizados que sejam os meios de difusão utilizados, nem abdicará da defesa intransigente dos seus princípios ético-políticos e da dignidade profissional dos seus docentes.”
 
Voto de Repúdio aprovado pelo Conselho do Departamento de Sociologia da Educação e Administração Educacional da Univ. Minho, em 27 de Fevereiro de 2008 (publicado no Dissidências

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